A crise política é mais grave

Eça de Queiroz estava mesmo certo quando cunhou a frase: "os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente pelas mesmas razões". O que se vê, hoje, no Brasil, é uma grande peça teatral.

Quem criou o 'companheirismo', o tradicional 'tapinha nas costas', o nepotismo, o tráfico de influência e os 500 atos secretos não tem moral alguma para fazer uma reforma no congresso. O presidente do Senado, José Sarney, não vai extinguir o que ele criou. Esta crise existe porque, os políticos, não tem nenhum interesse pelos problemas da nação, eles só estão preocupados com seus próprios privilégios.

Os Caras Pintadas da era Collor: 'Tenho saudades de vocês!'
Semana passada, um leitor me enviou e-mail dizendo que eu critico muito os politicos, mas que lá no congresso existia também pessoas de bem. Gentilmente, eu agradeci o e-mail dele e o pedi que me fornecesse os 'nomes' dessas pessoas que ele considera como do bem. Já passaram-se 10 dias e, ainda não recebi nenhuma resposta dele - e aguardo.

Apenas para recordar, a história nos mostra que, os homens de bem, quando se envolvem pra valer na atividade politico-eleitoral mesmo que sejam bem intencionados, ou cheios de conceitos éticos e morais, em pouco tempo, pressionados para competir de igual para igual com 'as velhas raposas' passam depois a admitir concessões (em seus até então rígidos principios de honestidade), e nivelam-se por baixo com seus novos colegas.

É por este motivo que se credita tanto à atividade politica, a capacidade de corromper o homem, cooptando-o para fazer esquemas desonestos ou, fazendo-o aceitar que atos desonestos podem ser livremente praticados, como se o fato de ele não aderir o mantivesse limpo. E a omissão, nesses casos, não o salva. O torna, somente, mais culpado (ou perigoso) quanto àqueles que praticam o delito.

Para realizar uma reforma ampla, eu penso que o congresso brasileiro precisa de novos valores, novos nomes, novas caras. E acredito que isto só será possível, realmente, quando sair uma mobilização do povo nas ruas.

7 Comentários:

Daniel Hiver disse...

Será que posso agarrar a beira daquele cartaz e me solidarizar com a moça que está pedindo dignidade???

Daniel

parabolas disse...

Neto, parabéns! Concordo com sua análise! É a realidade, infelizmente.

Esses episódios envolvendo o Sarney me fez lembrar de um passado recente - A Era Sarney - quando as pesoas acreditaram na seriedade de um plano econômico bolado pela sua equipe e se transformaram nos > Fiscais do Sarney < ... lembra?

Naquela época, como comerciantes, sofremos muito com a arrogância dessas pessoas que nos tratavam como marginais. E erámos todos, do simples vendedor de galinha até o grande empresário.

Hoje, sabendo que ele foi flagrado junto com sua turma praticando traquinagens vemos sua empáfia, em que não perde a pose e continua arrotando austeridade como se os brasileiros não o conhecesse.

Sua análise foi boa, mas o que nos entristece (apesar de eu ter sido também prejudicado naquele periodo) é constatar que NENHUM dos senadores 'éticos' no congresso se manifestaram contra o jeito 'transparente' do Sarney de conduzir o Senado.

Provando a realidade: que todos que estão lá tem o rabo preso e estão satisfeitos com os desmandos.

Marcos Pontes disse...

Justamente por tudo isso que você listou que não posso concordar com a totalidade do que disse em meus comentários sobre o apoio de Lula a Sarney.
Dia desses ele, Lula, disse que não se meteria na CPI da Petrobrás porque este era um problema do Legislativo. Era apenas jogo de cena. No dia seguinte ele reuniu-se com Calheiros e Jucá para traçarem estratégias para travar a instalação da CPI. E está funcionando.
No caso de Sarney, ele deveria continuar com o discurso que era uma questão do Senado e que o presidente não tinha que se meter na questão. Fez o oposto, saiu em defesa do ex-desafeto e, ainda por cima, ferindo a Constituição no seu artigo 5, como você mesmo frisou.
Algo me diz que os últimos desmando de Sarney só vieram a público por conta de algum interesse ferido por algum colega, algum diretor da Casa (talvez o próprio Agaciel com o apoio de algum camarada que ainda está no cargo), um lobista... Nada é de graça entre nossos parlamentares, nem mesmo a desgraça de um deles.

RoCosta disse...

Estou aqui queimando os miolos para lhe dar um nome e nada.
Político no Brasil peca por ação ou omissão. Então ninguém escapa. :-(
Abraço forte.

Paulo R. Diesel disse...

O pior é que isto sempre foi assim e continuamos votando neles

Daniel Moraes disse...

Precisa-se de uma ampla reforma na cultura do Brasil. O brasileiro é um analfabeto político, enquanto nós não nos conscientizarmos da nossa responsabilidade quanto cidadãos, o cenário político infelizmente não mudará. Um abraço.

http://contesta-acao.blogspot.com

Abraão disse...

Parabéns pelo post! Concordo com você!

E eu penso que quem convive com corruptos omitindo-se, seja por covardia ou conveniência, torna-se de certa forma nocivo também.

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