Vale o que está escrito... será?

É comum as pessoas ao lerem um artigo escrito em grandes portais na web, em jornais ou revistas, seguirem à risca aquilo que leem como se fosse verdade. Poucas são as pessoas com senso critico para analisar cuidadosamente o que leram e tentar entender a opinião e as motivações do autor por trás daquele artigo. No texto abaixo, o professor Valdeir Almeida discorre com propriedade sobre esse assunto.
Você-acredita-em-tudo-que-lê?

Muito antes do advento da internet, as notícias escritas chegavam apenas mediante revistas e jornais impressos. Naquela época, já imperava a máxima "vale o que está escrito". Dessa forma, se um jornalista mal intencionado escrevesse e publicasse uma notícia forjada ou tendenciosa (factóide), grande parcela dos leitores acreditaria. Por causa disso, reputações construídas com dignidade ao longo de décadas eram destruídas com um punhadinho de palavras.

Agora, com a internet consolidada no cotidiano da sociedade, o crédito cego na palavra escrita tomou proporções ainda mais alarmantes. Alguns jornalistas descomprometidos, blogueiros desconhecidos ou fakers, twitteiros e afins criam notas infactíveis denegrindo a imagem de cidadãos de boa índole. Muitos webleitores que acreditam na notícia, a repassam através das redes sociais (e do tradicional boca-a-boca).

Diante do exposto, surge a seguinte indagação: por que existem tantos leitores passivos? Ou seja, por que há ainda gente que lê todo tipo de texto sem questionar a veracidade da fonte e o caráter de quem escreveu?

Isso tem respostas nos tempos antigos. Pouquíssimas pessoas detinham o domínio da leitura e da escrita. A maioria absoluta da população era formada por analfabetos. Os letrados, por conta disso, eram respeitados e tidos como sábios e guardiães da verdade.

Aos poucos, a população foi sendo alfabetizada. Mas, ainda assim, não em nível suficiente para ser equiparada aos "sábios". Estes, agora, ocupavam um lugar privilegiado na hierarquia social, ao lado dos reis e imperadores, publicando teses de cunho religioso e científico e sendo conselheiro oficial de tais poderosos. Por isso, mesmo com a popularização da escrita, após Gutenberg inventar a máquina de imprimir, a palavra grafada continuou influenciando e sustentando a associação entre escrita, credibilidade e poder.

Valdeir Almeida é educador, profissional e um grande amigo. Escreve frequentemente no ótimo blog Ponderantes. Recomendo, e vale a visita! :)

12 Comentários:

Valdeir Almeida disse...

Amigo Neto,

Primeiramente, muito obrigado pelo convite. Para mim, é sempre uma honra escrever para o Sakuxeio.

O crédito cego nas notícias escritas é fruto de uma escassez de discernimento gerado pela falta de cultura e, até mesmo, de personalidade própria. Há pessoas que parecem “teleguiadas” por tudo que leem. Nunca analisam, nem confrontam com notícias publicadas por outros veículos.

Abraços, Neto, e, mais uma vez, muito obrigado.

helenocaê disse...

Gostei do texto do prof. Valdeir! Concordo plenamente com ele.

Algumas pessoas precisam realmente aprender a discernir e a entender o que há por trás de determinados artigos de certos jornalistas.

Roberto Hyra disse...

O professor Valdeir fala com propriedade e conhecimento. Nós, educadores, sabemos muito bem o quanto, como cidadãos de variadas classes, ainda precisamos evoluir em conhecimento e na Educação.

Parabéns à ele pelo texto, e pelas palavras.

Marcos Paulo disse...

Discordo do texto. Ele falou, falou, falou, mas não apresentou soluções. Criticar o sistema educacional precário do país é fácil. Quero ver é apresentar soluções.

O analfabetismo continua alto no país porque os principais políticos querem que assim seja. Não se pdoe dar o conhecimento à todos. se assim fizerem, quem vai mandar?... e quem vai obedecer?

Eu prefiro continuar acreditando em jornais principalmente quando revela coisas como o mensalão.

Elisa disse...

Gostei do texto do colega Valdeir, e gosto tb de seu blog. Sou leitora dele e visito-o sempre.

Pelo que pude notar e, diferente de muitos educadores que tem por aí, ele é coerente com seus princípios. Sabe o que fala.

Feliz ano novo pra ele e pra você tb Neto! muito sucesso e muito beijoooooooooooo em 2012!!! kkkkkkkkkk

Daniel disse...

Acredito que deva haver um filtro interno nosso. Ler as notícias e extrair aquilo que realmente interessá-nos. Um belo texto e um abraço a vocês dois.

http://ere-ge.blogspot.com

Anônimo disse...

O povo brasileiro precisa ser instruído, e buscar mais o conhecimento para não se deixar levar cegamente por qualquer notícia que vê ou lê.

Muito boa abordagem Neto!

Boas Festas

Att.

Marcio Fontes

Valdeir Almeida disse...

Marcos Paulo,

Discordar do texto é válido, afinal vivemos numa democracia onde o direito de expressão é livre. Entretanto, a discordância deve vir acompanhada de argumentos válidos; além disso, não se devem distorcer as ideias apresentadas no texto.

Primeiramente, o texto não teve como mote uma tese em que se apresentasse possíveis soluções. Ele é puramente informativo. Além disso, ao contrário do que você disse, não fiz crítica ao sistema educacional; apenas apresentei de maneira sucinta a evolução da apreensão da palavra escrita pela população o que, ainda assim, não a muniu de consciência crítica para discernir sobre a veracidade das notícias publicadas nos jornais.

Outra falha no seu comentário diz respeito à generalização. Releia o texto atentamente (ele é curto, você demora pouquíssimos minutos para relê-lo). Eu não fiz crítica a todos os jornais, mas, sim, àqueles imparciais, mal intencionados; isto está absolutamente claro no texto. E, obviamente, você deve continuar acreditando na imprensa escrita, como eu também acredito, mas quando algo vira notícia, leia-o não apenas no jornal de uma única empresa; leia de outras também, e estabeleça comparações. Você observará que a prática ideológica estará presente mais em uns que em outros.

Feito isso, Marcos, você chegará a outras conclusões, como a de que revistas e jornais de grande circulação nacional, não raramente, deixam de publicar a notícia pura; ou seja, ela costuma vir sem imparcialidade; por exemplo, há uma defesa por determinada orientação política em detrimento das outras correntes. Muitos dos leitores de tais veículos, Marcos – aliás, a maioria – são altamente letrados e instruídos – inclusive pertencentes às classes sociais mais elevadas – mas são “analfabetos” em termos de senso crítico.

Portanto, Marcos, criticas, que é um direito que nos assiste, enriquecem o debate e ajuda a promover a democracia. Entretanto, é necessário que a crítica seja coerente com o conteúdo do texto, e as palavras do autor não sejam distorcidas.

J. Neto disse...

@Valdeir

Eu iria comentar aqui com este mesmo argumento seu para o Marcos, mas esperei que você se manifestasse. Afinal, ninguem melhor que você para esclarecê-lo sobre o conteúdo do texto (inclusive, coloquei o comentário dele aqui para que ele próprio enxergasse o erro que cometeu).

Todos nós vivemos em uma democracia onde pode-se concordar ou discordar de algo. Entretanto, sempre que discordarmos de algo, devemos apresentar argumentos válidos, respeitosos e fundamentados no tema que foi proposto. Acredito que, como você frisou, uma ideia melhor aumenta o nível da discussão e todos ganham com a qualidade do debate. O Marcos aqui, infelizmente, não fez isso. Falou coisa com coisa. Mas, creio, ele deve ter aprendido muito. Deve ter percebido a lição.

Abraços Valdeir! E obrigado pela contribuiçao.

junio davidson disse...

Eu achei o texto legal. Tem gente na internet que vive somente para fofocar, falar besteiras e alimentar intrigas, eu acho que se usarmos direito a net, podemos aprender muito com o que encontramos nela. Este texto do professor, por exemplo, é explicativo. bom.

Gosto de debater tb e sei que isso melhora muito o nosso raciocínio, e não esses BBBs da vida em que muita gente se apega.

Valeu aí! Feliz 2012 para todos!!!

camilo disse...

Eu confesso que gostaria de ter aprendido isso antes... De não ter acreditado tanto no que lia em jornais e revistas.

[]'s

Feliz 2012 Pessoal!

czero disse...

Vi esse texto gerando buzz lá no facebook e vim ver do que se tratava... Taí! concordo com o autor. A maioria das pessoas são mesmo analfabetas intelectuais, não tem o menor senso critico, mas a pergunta é: fazer o que?

bVamos pensar: Esperar o quê de pessoas que por viverem em subúrbios, grotões, e sempre em época de eleição, trocam seus votos por tijolos, telhas, cestas básicas... etc e etc. O quê?... Entra governo e sai governo no país e nenhum deles investe o mínimo em educação básica. A pergunta que fica é: porque não investe?... nem vou responder, na verdade, já sabemos porque né?

É de se esperar, portanto, que muita gente não saibam ler... e menos ainda interpretar um texto. Olha, não é a toa se vê tanta gente acreditando no que lê sem questionar. A própria mídia e imprensa deseja que seja assim. Não só os governos. O buraco é muito embaixo. Muito embaixo.

Mas vale o debate.

Abraços todos!

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