Para que serve a solidão?

Para refletir

Eu não gosto de olhar a solidão com cara de poucos amigos e extrair dela apenas o vazio que é visível e óbvio. Estar sozinho – e suportar tal condição – deve ser um exercício de paciência, de administração do tempo e de tolerância consigo próprio. Alguns se saem bem ao fazer essa tarefa, outros, desvalorizam esse momento de introspecção.

Conheço pessoas com verdadeiro pavor de ficar a sós e elas estranham quando desligo o celular, dizendo frases do tipo: "se é para desligar o telefone, melhor não tê-lo"... Vejo as coisas de um modo diferente, e sinto que se não puder me desconectar daquele aparelhinho na hora em que julgar necessário não serei eu a lhe ter, mas ele a ter-me. Daí, aperto o botão vermelho como quem pede descanso para a mente e não como quem detona uma bomba atômica. Ainda acho que não estar presente em todos os cantos é o gesto mais normal e humano do mundo. Desculpem-me os dissonantes.

Ultimamente tenho tido poucas solidões, o que também é saudável para quem vive em sociedade. Gosto de aproveitar os "momentos" ouvindo músicas antigas, fazendo poemas livremente à mesa da sala, almoçando quando a fome vier, criando ilusões, vestindo menos roupas e quase sempre me olhando no espelho. Espelhos, aliás, são objetos de preparar alguém para outro alguém – sempre os encarei assim. E na solidão mais vale o original do que o reflexo – nem todas as vezes correspondente fiel da matéria bruta.

Estar só faz bem, ser sozinho, porém, é melancólico e provavelmente paranóico. De uma forma ou de outra qualquer um precisa de outro para contar piadas gastas e arrancar um riso fácil, para dormir despojado no sofá, comentar um comercial na TV, dizer como foi o dia, reclamar da vida, lamentar a morte, ajudar nas decisões, tirar o cisco do olho, dividir as dívidas... Enfim, fazer coisas e segredos que não se pode botar em textos.

Esse post foi originalmente escrito pela Isolda Herculano, e reescrito aqui por mim com a autorização dela - pela incrível semelhança de nossos pensamentos sobre o assunto.

7 Comentários:

Daniel Savio disse...

Cara, estar sozinho é diferente de ser sozinho, pois mesmos sem a companhia físic dos amigos, eles acabam nos seguindo o coração...

Fique com Deus, menino Neto.
Um abraço.

Irene disse...

olá, neto !

Acredito que tudo na vida é questão de tempo.
Existe tempo que precisamos estar rodeado de gente.
Tempo que precisamos de agitação.
Tempo que precisamos de calmaria.
Tempo que precisamos estar sozinhos conosco para refletir.
Em todos esses momentinhos, a ordem é sempre aproveitar o que a vida tem de melhor.
Então, se estamos rodeados de pessoas, conversaremos, estabeleçeremos contatos importantes.
se estamos em agitações, vamos nos jogar e ser felizes.
Se estamos na calmaria, curtiremos os momentos especiais ao lado de pessoas especiais.
Se estamos mais reflexivos, aproveitaremos para meditar, nos conheçeremos melhor,nos aprimoraremos.

Aprendi que a melhor coisa que fazemos do nosso tempo é extrair o positivismo e jogar na lixeira o negatismo; isso para todos os tempos de nossas vidas.

Abraçossss

Irene disse...

Neto,
espero que tenha gostado do meu comentário anterior.....
Passei, exatamente, pelo que vc está descrevendo agora e, na época, uma pessoa me disse, exatamente, essas palavras que eu falei no meu outro comentário. Para mim, ajudaram bastante.
Espero que essas msm palavras tenham te ajudado tbm
abraços

@philipsouza disse...

As vezes ficar sozim é bom...mas nao com frequencia...

abraços Neto

Neto disse...

Sim @irene!

As palavras amigas, positivas e edificantes nos ajudam sempre, e em todos os nossos momentos. Obrigado pelas suas, e por sua presença constante aqui!

Abraços

Adelson (Gerenciando Blog) disse...

Olá, Neto!

Muito interessante o texto da Isolda. Ótimo mesmo!

Acredito que, como em tudo na vida, precisamos de equilíbrio nesse ponto também: necessitamos viver em sociedade, mas também necessitamos de momentos de solidão. Eles nos fazem bem e temos todo o direito de tê-los.

Um abraço!

Blog House disse...

Boa!

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