Você tem 30 minutos?

A resposta a esta pergunta geralmente é com outra pergunta: "para quê?" Então completarei a pergunta: "você tem 30 minutos para quem você gosta?"

30 minutos pode valer muito
Ei, não faça essa cara! Você realmente dispensa 30 minutos de seu tempo para dar atenção a quem você gosta? E quando digo '30 minutos' são 30 minutos de total atenção, apego, dedicação. Não é muito tempo, não é verdade? Será mesmo? Quer ver como para muitas pessoas esse tempo parece uma eternidade?

É uma eternidade porque estamos em tempos relâmpagos. O relógio e seus números nos tornaram verdadeiros escravos, e cada dígito nos é precioso para fazermos uma só atividade, quanto muito dedicarmos 30 minutos só para uma situação, sem ocupar o pensamento noutra coisa.

Pense: você está com uma pessoa de sua estima e fala de si, de sua rotina, seus planos, dos amigos, lê o jornal, assiste ao jogo na TV, lava o carro, digita relatórios etc... ao mesmo tempo em que ouve umas palavras desta pessoa. Pare! Isso mesmo... Pare tudo. Olhe e aprecie quem está ao seu lado por algum tempo. Quanto tempo você consegue? Sem desviar a atenção para si, para seus assuntos, para o que você gosta? Não é tarefa fácil, lhe garanto.

E complemento: ficamos ansiosos em não fazer nada, em não produzirmos, ocuparmos aqueles minutos com algo palpável, rentável, necessário – contas a pagar, trajetos a percorrer. Lembro daquele coelho no desenho de "Alice no país da maravilhas"... ele corria feito doido, relógio na mão, sempre dizendo: "é tarde, é tarde!". Nem ao menos dava ouvidos à pobre Alice.

Para uns posso estar exagerando, mas acredito que não, porque tenho ouvido muitos jovens nos atendimentos que faço, e a maioria deles traz uma queixa implícita: a falta de atenção de seus pais. E isso se estende a todos os nossos relacionamentos mais preciosos. Dar tempo a si é importante, claro, mas realmente dar seu tempo a alguém, com qualidade, com interesse, é muito bom e tem um valor inigualável.
Mas afinal... você tem 30 minutos para quem você gosta?

Claudia Brum
Graduanda em Psicologia, mãe apaixonada de um casal – um adolescente e uma criança.

O post de hoje é de sua autoria. Conheça ela visitando seu ótimo blog: Espelhos D'Alma. E assine, eu recomendo :)

8 Comentários:

Elisa disse...

Nesses tempos em que estamos sendo bastante exigidas e cobradas (como mãe, esposa, amantes, profisional, estudante, etc) fica difícil encontrarmos este 'ponto de parada' e fazer o que queremos - se dedicar a quem amamos.

Eu ainda estou em busca desses 30 minutos rs

Mas, concordo com a autora. O texto dele é excelente para refletirmos sobre.

Sanely insane disse...

Pois é... e até o sexo fica em segundo plano.

Dr. Enfermeiro disse...

Muito interessante o texto da Cláudia, e muito apropriado.

Isolda Herculano disse...

Olha, vou falar em termos de relacionamento a dois. Moramos só eu e meu companheiro e acho que esses trinta minutos ainda faltam para nós. Parece meio absurdo, mas meia hora sem interferência do externo, sem preocupação com contas, parentes, futuro, encanamento, é coisa rara. Ainda não atingimos esse alfa. Parece triste, mas é real, rotineiro e quase essencial para a vida moderna: não dedicar trinta minutos do seu dia a alguém que também não lhe dedicará o mesmo tanto.

Abraço.
Isolda.

paulo disse...

Está cada vez mais difícil nestes dias agitados de hoje.
Cada pessoa tem o seu tempo e para uns é suficiente 10, para outros 20 mas para muitos nem 1 hora é o suficiente pois não sabemos mais usar nosso tempo com aquela qualidade que merecemos e precisamos.
Gostei do artigo e visitarei o "Espelhos...

Abraço

Letras da Pâmela disse...

Trinta minutos é uma eternidade... mas para quem gostamos passa tão rápido....
Eu gostaria de ter muitos "trinta minutos" pra todos que amo.
Beijos querido.
Beijossss

Guará Matos disse...

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Amigo,
Leia no AFOGANDO O GANSO ENTERTAINMENT http://jafogandooganso.wordpress.com/
"EM ABRICÓ TODA NUDEZ SERÁ PERDOADA"
BJS.

Valdeir Almeida disse...

Neto,

As pessoas vivem tão apressadas que não dão mais atenção aos seus relacionamentos.

Elas não cultivam mais boas amizades, não dedicam tempo suficiente aos filhos.

Abraços, meu amigo.

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