Uniban: show de hipocrisia

"A ignorância sempre parte daqueles que deveriam ser os mais sábios" (Provérbio Chinês).

Geyse e o polêmico vestido rosa

O brasileiro é um hipócrita! Traveste seus dogmas e preconceitos em "moral e bons costumes". Um exemplo claro disso foi o que aconteceu com a estudante da Uniban, Geyse Arruda, que chegou a ser expulsa da faculdade acusada entre outras coisas, de não respeitar os padrões éticos e morais do Campus. Pelo que me parece, de vítima a mesma passou à vilã, já que ao afastar definitivamente a mesma, a Uniban afirmou ter sido ela a causadora de toda a bagunça ocorrida - quando foi à aula trajando um vestido rosa curto. (No momento em que escrevo esse artigo, a instituição de ensino voltou atrás na expulsão sem maiores explicações).

Primeiro, quero dizer que: todas as mulheres que vão ao Campus, de qualquer faculdade pública ou privada desse País, vão com blusas de manga grandes, sem decote e de saias longas até o pé, cabelos sem nenhuma espécie de tintura, sem qualquer maquiagem e de sandálias rasteiras, não é mesmo? Só Geyse que, num momento de depravação pura e descabida, vai à aula trajada daquela forma. Ou seja, todas as mulheres vão as suas faculdades trajando roupas comportadas, que não chamam a atenção de ninguém, correto?...

Ora, vamos falar sério! Há sim mulheres que vão a Faculdade trajando roupas chamativas. Falo isso sem medo de errar, pois faço curso superior e não me canso de ver mulheres apertadas, e com vestidos mais curtos que a moça do caso em questão. O apelo e o culto a beleza são latentes. Aliás, esse tema é recorrente em meus escritos.

Mulheres e homens malham, compram cosméticos, roupas, enfim, fazem de tudo para virarem verdadeiros nacos de carne ambulantes, e de repente, sem mais nem menos, um bando de pessoas se imbuíram de pureza e tacaram pedra na meretriz. Engraçado tudo isso, não é mesmo? Pelo que entendi, a Uniban é um monastério, uma instituição de santidade e pureza e só a Geyse, a infiel, não se enquadrava nos moldes sacro-santos dela.


Sabem o que eu acho? Só posso pensar que há "algo a mais" que um mero vestido, para que a Uniban tenha chegado a expulsar Geyse. Todo mundo sabe que, nas universidades, há professores e Gestores que botam pra cima mesmo! Inda mais com mulheres que se vestem de forma provocante. Vai que ela não quis dá, ou mesmo, parou de dá para alguém do corpo técnico da Universidade.

O que mais me chama a atenção nisso tudo, é que a maioria das pessoas que xingaram a garota, ou fazem a mesma coisa, ou fazem coisas piores como; sexo grupal com "amigos (as) de sala" (a internet está cheia de vídeos de sexo caseiro dentro das salas de aula), traem os namoradas (os), são prostitutas (todos sabem que é normal "mulheres da vida" cursando nível superior) ou gays enrustidos malhando a gostosa que pega geral.

Não vou cair na vala comum da críticomania, contudo, quero lembrar-lhes que, neste país, "a moral e bons costumes" variam de acordo com a ocasião. Bem dizia Nietzsche, "não existe fenômenos morais, mas interpretações morais dos fenômenos". Você pode não se trajar de forma extravagante, porém, pode ver-se julgado por pensar, falar ou agir de uma forma que atente contra "o senso comum" do que é "normal para os padrões societários", e aí, se verá sozinho num mar de incompreensão e selvageria sem ter culpa alguma.

Lembro-lhes que, a homofobia e o preconceito racial em geral, se expressam exatamente assim, em brincadeiras que tomam corpo e saem do controle, ocasionado em alguns casos mais agudos, violência e morte. O que fica de tudo isso é que ainda temos muito que evoluir. Em pleno século XXI, a individualidade é posta a prova em nome de uma moralidade fabricada, e por grupos de pessoas que esqueceram que ética, acima de tudo, é respeitar e saber conviver com as diferenças.

O post de hoje é de autoria do Daniel Moraes, um rapaz inteligente, universitário, perspicaz, e um grande amigo. É um dos idealizadores do blog Só Pensando. Atualmente, ele está no SubMundos em Mim, seu blog principal. Lá, ele escreve sobre poemas e outros contos. Visitem-no e assinem. Eu recomendo.

16 Comentários:

Daniel disse...

Valeu pelo comentário e pela oportunidade de escrever aqui, que é um blog que muito gosto e tenho vc como um grande amigo também. Estou curioso para ver os comentários. Um abraço.

http://submundosemmim.blogspot.com

Elisa disse...

Concordo com tudo que foi dito pelo rapaz, mas acho que ele extrapolou um pouco aqui: "Sabem o que eu acho? Só posso pensar que há "algo a mais" que um mero vestido, para que a Uniban tenha chegado a expulsar Geyse. Todo mundo sabe que, nas universidades, há professores e Gestores que botam pra cima mesmo!"

Nas universidades, escolas ou grandes centros de ensino predomina a ética e a transparência. Qualquer instituição tem por dever e obrigação, expulsar um membro que não se enquadre nesse quesito.

Se na Uni em que ele estuda há casos semelhantes envolvendo professores ou gestores deve ser denunciado e corrigido.

No mais, concordo com tudo que falou. Vou seguir o blog dele.

Bjos Neto

Roberto Hyra disse...

A Uniban só voltou atrás na sua decisão por causa da repercussão negativa que a instituição teve e da nossa justiça, que é muito lenta e conivente com os erros.

Para mim, a Geyse saiu premeditada e estava mal intencionada quando foi à escola. Me respondam sinceramente: Vocês acreditam que essa moça saiu de casa com aquela mini saia vermelha, mostrando um belo par de coxas (o seu), e foi a Uniban com a 'única 'intenção de estudar'? Não, claro que não.

O rapaz aqui está certo em falar em coisas 'veladas' acontecendo dentro das universidades. E atire a primeira pedra 'o santo' ou 'a santa' que prove o contrário.

Parabéns a ele pelo texto.

Junior davdson disse...

Não tem explicação. A morsa é mesmo uma vagaba.

Adalberto Félix disse...

A Uniban se tornou uma instituição sem crédito não quando expulsou a moça, mas quando desistiu da expulsão e não reconheceu erro.

Mais que isso, o estrago já estava feito.

Offtopic:
... e quanto ao nosso Sport, teve jeito não, Neto, nós caímos mesmo.

Valdeir Almeida disse...

Neto,

Tenho batido na mesma tecla contra a hipocrisia. Geyse foi uma grande vítima desse mal.

Atiraram-na "pedras". Os hipócritas são os que mais costumam fazer isso.

Nos corredores da Uniban, sem dúvida nenhuma circulam garotas com vestes mais curtas do que a de Geyse. E os marmanjos que apedrejaram a garota tem namoradas, cujo guarda-roupa tem peças minúsculas e satisfazem a eles (os marmanjos preconceituosos) diante dos amigos e entre quatro paredes.

Gostei da forma como o Daniel Moraes desabafou. Ele é um dos meus. Irei visitar o blog dele.

Abraços.

Daniel disse...

ELISA: Obrigado pelo seu comentários. Contudo, assédio a alunas (os) acontece sim! Isso é um fato. Em geral, se "esquematiza" uma saída a alguma festa, barzinho, enfim, locais fora da Instituição. São poucas as instituições que aplicam qualquer punição, já que considera-se que todos são de maiores e estão fora do ambiente escolar.

ROBERTO: Se você achar que a Geyse saiu de casa para causar tumulto, considere que muitas que se vestem igual a ela também pensem assim. Tem uma "Geyse" na minha turma, que se veste provocantemente, sai a lanchonete, banheiro, e nada acontece a não ser assovios. Ambiente escolar não é lugar de mine saias, mas, qual é a Faculdade nesse País que não tem alunas que se vestem assim.

JUNIOR: Não tem explicação mesmo! Preconceito e lixamento moral!

ADALBERTO: O estrago tá feito mesmo! Ficou feio por expulsar e feio por re-admitir.

VALDEIR: Concordo em número, gênero e grau com você!

Bem. Valeu a todos pelos comentários. São todos bem vindos em meu blog.

http://submundosemmim.blogspot.com

Fábio Mayer disse...

Neto,

A hipocrisia é uma instituição brasileira quase tão forte quanto o futebol e o carnaval.

No Brasil as pessoas exgem bons sistemas educacionais, mas a maioria COLA nas provas e pede "ajudinha" para professor e não raro, troca a ajudinha por favores sexuais.

O Brasil exige saúde pública e previdência, mas ninguém quer pagar contribuição para o INSS.

O Brasil quer segurança pública, mas neguinho sai por aí com o som do carro em ultimo volume, bebendo e dirigindo, agindo como babaca em todos os lugares onde vai e se achando no direito de ter mais direitos que os outros.

O Brasil repugna a corrupção, mas reelese sistematicamente todos os maiores corruptos notórios da república.

O Brasil é moralista, mas ama de paixão as dançarinas de axé music e as mocinhas da Playboy, mesmo que elas representem péssimo exemplo para a juventude. E na mesma toada, o Brasil ADORA os rapazes que enchem a cara e agem feito cowboys, dando péssimo exemplo paraa juventude também, cantando "beber, cair e levantar".

Enfim, hipocrisia é algo tão brasileiro quanto a cachaça ou a feijoada.

Abraão disse...

Se você pegar esse comentário aqui:

Lembro-lhes que, a homofobia e o preconceito racial em geral, se expressam exatamente assim, em brincadeiras que tomam corpo e saem do controle, ocasionado em alguns casos mais agudos, violência e morte.

Verá que o Daniel tem razão (aliás, ótimo texto Daniel, ganhou um leitor!). A hipocrisia no Brasil está inserida em tudo. Nas igrejas com os padres pedófilos que não se assumem. Nas empresas com os patrões e gerentes que 'comem' as empregadas. No futebol, com os juízes que aceitam 'um troquinho gordo' em sua conta bancária para favorecer um clube. Na Tv onde a Record e a Globo brigam e mentem para ver quem 'engana mais e melhor o povo'. No Senado onde todo mundo é corrupto e a corrupção é irmã gemea da hipocrisia, e etc e etc etc.

O Fábio Maya também tem toda razão aí, pois vez ou outra nós aceitamos essas coisas como naturais e nos indignamos quando vemos alguem tomar uma atitude antiética. E isso nada mais do que é do que HIPOCRISIA pura nossa.

SERFM disse...

Se todas as mulheres que usam mini saia e vão a universidade são mal intencionadas como disse esse leitor aí, então teria que punir TODAS elas.

Na verdade, o certo seria a UNIBAN ter um regime definido, ou senão fazer logo um convento da escola. Ou vai ficar difícil pra todas rs

Benito disse...

Eu desejo que todos que criticaram esta moça, na Uniban, em qualquer lugar e aqui nos comentários do blog, MORRAM! Assim teremos um planeta menos podre. FIM

mary disse...

É! Todos agora criticam a moça, mas quem, sendo mulher, não ia querer estar no lugar dela?

principalmente, depois que receber o cheque de R$ 600.000.00 da playboy

ho ho

Luis H disse...

Pois então, sei que é ridículo o que fizeram com a “pobre” moça. Estudo na PUC de Porto Alegre, RS, eis que realmente vejo as patricinhas, as menininhas todas de micro trajes, roupas que não conseguem respirar de tão apertadas, tiram o fôlego! Na realidade estão saindo da real missão da faculdade que é estudar. A GeYse vai ganhar uma grana com seu corpinho, ou já ganha, não sei, mas o ambiente que ela usou para se promover não tem essa função. Não sou a favor do que foi feito com ela, mas chega né, o Brasil tem essa imagem de “putaria”, crescemos bitolados a isso. Sou bolsista e vou para estudar, conhecer pessoas, não pra ficar quebrando o pescoço com as gostosas que passam. Essa exposição ao sexo é muito grande, o que faz uma moça sair daquele jeito de casa? É bonito, é! Mas vai pro baile funk, lá é lugar pra trajes desproporcionais como o dela, desculpem o estereótipo dado, mas é isso que a mídia passa. O pior é que gosto da noite, saio bastante, e não vejo tantas meninas nessas roupas, como na faculdade, é complicada nossa cultura... Atitudes só são tomadas quando acontecem casos extremos como o da Geyse, ela e sua carinha “linda”, com seu corpo que é um prato cheio para papo furado...

Claudinha disse...

Direito de ir e vir, de pensar e de se expressar. Vestir-se é uma forma de expressão. Creio que existe em nossa forma de vestir algo implícito, quer seja consciente, quer não. Cabe a educação assimilada, aos exemplos assistidos, para que cada um faça sua escolha e suporte as conseqüências disso. Mas claro, cabe perguntar se era local e hora adequados para trajar-se assim. Provocações, comentários maliciosos seriam inevitáveis, mas o que aconteceu tomou proporções muito estranhas... consciente coletivo? Quem insuflou? Vamos concordar que a informação que passou boca-à-boca sofreu deformações e realmente fugiu ao controle... são tantas perspectivas a serem analisadas, mas em nenhuma delas vejo que seja possivel julgar alguém... a não ser lastimar o preconceito, a fala de educação,a falta de respeito ao outro.

Alina disse...

Esta claro que num pais onde as mulheres que querem um espaço na mídia mostram suas calcinhas ou se deixam classificar-se como melao, morango etc... e o que conta é o apelo sexual que possa ter qualquer açao sua para chamar a atençao e ganhar algum dinheiro em capa de revistas ou entrar num BBB, esta claro que esta tal de Geyse o que pensou é que em sua carreira sería uma medíocre e tería que trabalhar muito para conseguir seu espaço por isso escolheu o caminho mais curto e com menos esforço, se juntou a "classe operária das mulheres que mostram a calcinha".
Acredito que todos têm ou devem ter liberdade de expressao, mas numa instituiçao de ensino o que prevalece sao os valores que ali devem ser aprendidos e seguidos por quem busca ser algo na vida.

Caio Bruno disse...

"classe operária das mulheres que mostram a calcinha

Tá vendo! Depois dizem que só é os homens que pensam em sexo....

As muvucas também hahuahaua

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