Selic vs. Spread: porque os juros são tão altos no Brasil?

Em um artigo intitulado "It's the Spread, Stupid!" publicado na Folha de São Paulo (03/02/09) do Dr. Marcos Cintra (professor pela Universidade de Harvard), ele detalhou em números como as tarifas bancárias no Brasil subiam, impressionantes, 740% ao longo do ano. Afirmou também que, em países emergentes como China, Coréia, Chile e até a Malásia, os spreads bancários (juros) estão na casa dos 6% em média, contra mais de 30% no Brasil.

É uma pura verdade. Os banqueiros brasileiros vivem nadando em ouro e, alegam que o spread é necessário porque a inadimplência no país é alta. Mas a verdade não é só essa. Há muitos abusos e absurdos nisso.

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Pesquisando, descobri que a tese do professor é muito correta, principalmente quando ele diz que a queda da taxa SELIC feita pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) não contribuiria, em nenhum momento, para aumentar as atividades produtivas no país se os SPREADS também não caíssem relativamente.

Então, a pergunta que fica é: se a atividade bancária é uma forma de concessão pública e pode ter interferência do governo, o que o atual governo poderia fazer para enfrentar esse 'evidente' cartel dos bancos e fazê-los diminuir seus spreads?

Uma solução seria usar os bancos estatais como a CEF, o Banco do Brasil e o BNDES para baixarem seus juros, e assim fomentar mais competitividade neste setor. Com a Caixa, ou o BB, oferecendo juros menores os bancos privados teriam que se recompor e agir para não perder mercado. Outra idéia interessante, e nem tão eficaz assim, seria a divulgação pública de uma relação dos bancos que cobram os spreads mais altos, como já foi feito com as tarifas bancárias para os clientes.

No entanto, o que se vê não é isso. O governo Lula demonstra, impressionantemente, ser muito devagar para atuar nesse mercado - seria porque os banqueiros nacionais, hoje, são os maiores financiadores de campanha dos políticos?. É! Infelizmente, cada vez mais eu me convenço de que os "banqueiros no Brasil", não são apenas uma classe privilegiada nos STFs da vida. Eles já representam quase que um 5º poder. E o que me surpreende mais ainda é o fato de saber que, após seis anos no poder, o presidente Lula apenas pediu para que a CEF e o BB baixassem seus juros...

Porque será que ele 'apenas pediu'? Será que ele não sabe que presidente não pede, presidente manda?

8 Comentários:

parabolas disse...

E o tal cadastro positivo do Banco central, ele só serve para que saibamos quem são as pobres pessoas físicas que pagam bem e as que não pagam?

Porque eles não fazem um cadastro positivo para os banqueiros 'exploradores' nacionais também?

manu disse...

Eu não conheço uma pessoa sequer que visite aquele STAR, o site de tarifas bancarias. O brasileiro é acomodado e passivo até para cobrar seus proprios direitos.

Não é atoa que os banqueiros deitam e rolam com esses spreads

beijos Neto

abraão disse...

Neto

O presidente do BC, Henrique Meirelles, já tinha dito em uma entrevista (dito, não afirmado) que a retração economica do país não é causada pela diminuição ou não da SELIC, mas por conta dos altos spreads.

E nisso tenho que concordar com ele. Os banqueiros no Brasil, desde a época dos dinossauros rex, que vem surfando com esses altos juros. Não é consequencia unicamente do governo Lula, é desde o tempo do 'museu' Sarney.

Está na hora (isso sim!) de conscientizar o povo para não serem tão passivos ao ponto de se sujeitarem a pagar taxas tão altas e infames desses bancos.

As pessoas não devem nunca se nivelar por baixo. É possivel mudar o panorama sim! E se faz necessária a não acomodação, e a criação de meios para a competitividade entre os bancos já.

Abraços

Daniel disse...

Bem, assim como Vargas, Lula é o Pai dos pobres e a mãe dos ricos. Um abraço e boa semana.

http://so-pensando.blogspot.com

parabolas disse...

Neto
O BC hoje divulgou uma lista com as taxas de crédito dos principais bancos. http://bacen.gov.br/?TXJUROS
Mas não se aprofundou nos spreads :(

Ontem, no Fórum da Petrobras, queria saber de você porque ficou contra o desemprego, se o enxugamento das empresas, para nós, investidores, indica uma boa administração (?)

?

RoCosta disse...

Neto eu não entendo nadica de finanças, mas eu sempre achei essa desculpa de alta inadiplência balela. E me explica, se puder, quando faço um empréstimo no banco sei que junto com juros ainda cobram um seguro caso não pague. Agora se eu pago totalmente o impréstimo voce não acha deveria me devolver o valor do seguro que paguei?
Abraço.

Fábio Mayer disse...

Isso acontece no Brasil porque os banqueiros são desonestos e sua atividade não é regulada a contento. Ademais, como eles financiam campanhas políticas de TODOS os partidos, ninguém tem coragem de peitá-los!

Falam que a inadimplência é alta. Mas boa parte dela é causada justamente pelos juros abusivos.

E as desculpas chegam a ser irritantes: quando a economia vai de vento em popa, os juros sobrem por excesso de demanda. Quando vai mal, sobem do mesmo jeito porque haverá crise de liquidez.

O spread bancário brasileiro até poderia ser o maior do mundo, em vista de uma peculiaridade do nosso Judiciário: ele protege o mau pagador, o safado, o ladrão e o picareta. Gente honesta que deve, é cobrada rapidamente e com todo o rigor, o desonesto, para o Judiciário brasileiro é apenas um devedor cheio de direitos e sem obrigações.

Mas mesmo com esse traço institucional, o spread bancário do Brasil não poderia ser tão alto, poderia até ser o mais alto do mundo, mas não esse abuso nojento, causado por bancos que fazem o que bem entendem numa terra de ninguém!

Rodrigo disse...

O Lula substituiu a dívida externa pela interna. O país está chegando aos 2 trilhões de dívida interna. Por que? Isso possibilitou a redução do risco externo e a classificação do Brasil no "Investment Grade". Também viabiliza a construção das grandes obras, desvios e programas sociais populistas. Só que com isso teve que se endividar fortemente com os bancos nacionais através da emissão de títulos do tesouro e, sendo assim, sobra menos dinheiro no mercado. Pouca oferta + grande demanda = juros altos.

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