Uma crise didática

Todo mundo sabe que o Brasil é 'o paraíso dos bancos'. E que eu saiba, é o único país no mundo em que as pessoas aceitam pagar juros altos e exorbitantes passivamente. É por isso que 'ações' (papéis) de bancos como o Itaú, Bradesco e Unibanco estão em alta e são sempre atrativas na Bolsa.

 Wall Street   Valor
Principais jornais anunciam a 'crise imobiliária americana' na terça negra

Os fatos recentes sobre a atual crise imobiliária americana indicam que, por lá, já virou consenso entre os analistas que a crise é considerada didática. A especulação imobiliária, os contratos de financiamento de riscos e a comercialização desses títulos foram muito mal administrados, e deve forçar mais controle sobre essas operações.

Para mim particularmente, aqui no Brasil, a crise também pode ser considerada 'didática'. Não para o nosso sistema financeiro que está firme e vai bem, e sim para eles: os novos investidores da bolsa. Digo isso porque, com o 'bom momento' da bolsa vivido no ínicio do governo Lula, não houve quem não quisesse entrar e aplicar seu dinheiro em ações, e sem ter o menor conhecimento do assunto. Com uma turbulência como a dessa semana, com queda de 7,59% só na segunda, vai afastar os investidores sem sangue frio, e todos aprendem.

O mercado de investimentos funciona assim: basta uma empresa ter problemas sérios, para o mercado todo achar que o setor vai quebrar. E tudo, em seqüencia, vira uma imensa bola de neve. Felizmente, no âmbito dessa crise, os bancos brasileiros estão confortáveis em comparação com os EUA, pois não estão expostos ao subprimes (hipotecas de segunda linha).

O lema no Mercado Financeiro de qualquer país globalizado é que, quando a economia está bem não há o que se preocupar, pois o que dá confiança são os fatos.

3 Comentários:

Fábio Mayer disse...

Penso que nenhuma crise econômica é didática, basicamente porque geralmente ela é criada por erros inerentes ao mercado financeiro, erros estes que não são sanados, eles simplesmente aprendem com eles e o mercado se reergue deixando o prejuízo anterior com os incautos.

No caso dos EUA, houve GANANCIA. O mercado financeiro entrou em peso no setor imobiliário, porque acreditava que a garantia real não perderia valor. E entraram de sola, sem nenhum tipo de cautela, porque o dinheiro entrava fácil. Taí o resultado!

Quanto ao Brasil, pode até estar numa boa atualmente e a crise não chegar forte aqui. Mas eu alerto para quem tem dinheiro em ações de bancos, que o sub-prime brasileiro tem 4 rodas!

Todos os grandes bancos daqui tem carteiras enormes de crédito para aquisição de automóveis em 36, 48, 56, 72 e até 100 prestações, tudo garantido pelo próprio veículo, com taxas médias de 2,5% ao mês.

Imagine, Neto, se o país entra em recessão, a inadimplência dispara e os bancos se obrigam a retomar milhares de veículos que por sua vez, terão valor de mercado bem menor, porque, postos a venda, o preço geral vai despencar, sendo todos usados?

O caldo pode entornar fácil, fácil, até porque, nossos bancos são altamente lucrativos, mas sua administração é de péssima para baixo...

Patty disse...

Eu fico sempre muito preocupada com tudo isso, acho que a corda sempre arrebenta pro lado mais fraco e aí sempre sobra pra gente...

Respondendo seu comentário lá - Ainda não vi Linha de Passe, mas pelo que tenho lido e o que você mesmo disse, parece ser mesmo muito bom, vou assistir sim, com certeza.

Beijos e bom final de semana!

J. Neto disse...

Uma verdade máxima nessa questão Fábio, é a de que, como os banqueiros brasileiros só estão interessados nos spreads quem pagaria a conta caso isso acontecesse?

eu sou um investidor de bancos sim, mas não sou novato. Quando me referi a crise didática não deixei claro que me dirigia àos novatos na bolsa por aqui. Mas fica aí a lição.

Eu, claro, conhecendo a dinâmica das bolsas de valores como conheço, já tenho minhas 'outras alternativas'...

Patty
É sempre ótimo ter sua presença por aqui de volta :)

Abraços a todos!

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