No congresso, o recente debate é a proposta do PSDB para dar aumento no Bolsa Família a alunos que tiverem boas notas na escola. O partido, há muito tempo, avisa que o PT usurpou o programa social criado por eles na era FHC e modificou-o a seu gosto. Em resposta, a líder do governo na casa, Ideli Salvatti, rechaçou a proposta e disse que ela é, unicamente, eleitoreira.
Bom, eleitoreira ou não, o PT também faz uso do
programa como um meio de angariar votos da população, embora o PSDB não fique atrás. A oposição teve 20 anos no poder para fazer algo de bom para os mais pobres e nada fizeram. Porque então só agora?
Eu vejo é que o motivo desse debate sobre o aumento no Bolsa Família é irrelevante, pois, se for aprovado, os custos não impactariam o orçamento. A intenção do PSDB, no entanto, ao aprovar o projeto, é enterrar a insinuação de alguns líderes do governo de que, se eleito, eles extinguiriam o programa. Na verdade, não estão preocupados com os desassistidos.
O Bolsa família não é um programa do PT e nem do PSDB, é uma conquista da sociedade, um direito do cidadão. Assim como já foram as conquistas do salário mínimo para quem tem mais de 65 anos e do tratamento diferenciado nas filas para idosos. O que muita gente esquece é que, o chefe de família (ou a chefe) que está no Bolsa Família está quebrado. E essa situação não vai mudar se seu filho tiver um bom desempenho escolar, passar de ano ou chegar a universidade. Ele (ou ela) não terá chance de ganhar mais dinheiro no final da vida.
Na verdade, não devíamos pensar em pagar mais só para quem tira boas notas. No futuro, também iremos pagar o benefício para o aluno que, vindo do programa, chegasse na universidade. Para ser justo, penso que isto (o projeto) já deveria ser uma lei. Ou ele, o aluno, não merece?